De acordo com o documento “Estratégia Nacional para
a Floresta”(2006), Portugal é o país com mais riqueza produzida por hectare de
floresta, de entre os países analisados. É uma estimativa que não tem em conta
possíveis externalidades. São, contudo, valores oficiais, sem que sejam
visíveis obstáculos de uma floresta baseada, essencialmente, na propriedade
privada e no minifúndio.
Mas o que resta da nossa floresta? Será que
continua a ser rentável?
Quando o agricultor cortava os pinheiros pelo
casamento da filha ou pelo batizado dos netos, tínhamos floresta rentável e
cuidada, contrariamente ao que se afirma, e esta riqueza não era exclusiva do
proprietário florestal.
Mas, quanto aos incêndios, serão os mesmos um
problema de bombeiros, de acessos ou de meios aéreos? Sabe-se que nunca se
investiu tanto como agora no combate aos incêndios e é o flagelo que todos
conhecemos.-
Os argumentos da estrutura fundiária e da
propriedade maioritariamente privada, também não são válidos.
Um problema de legislação? Os legisladores
produzem-na da mais variada.
Uma questão de entidades, públicas ou privadas,
relacionadas com a floresta? Se sim, não é por não existirem.
Na minha opinião é um problema social e económico,
com múltiplas causas. Também não serve o argumento de que os proprietários
florestais não limpam as suas matas. Basta ver os preços praticados pela
CELTEJO e similares. As conclusões ficam por conta do leitor.
Se a produção florestal for viável algumas das
causas dos incêndios ficam resolvidas.
Por exemplo as centrais de biomassa valorizam
recursos florestais, e não só, que de outro modo seriam lixo ou, eventualmente,
iriam aumentar a carga combustível na mata.
Também a floresta, como componente de uma
exploração agrícola, pode ser uma mais-valia. É o caso da pastorícia. Podemos afirmar
que, tradicionalmente, não tínhamos explorações florestais mas sim explorações
agroflorestais.
A solução deve passar pelo desenvolvimento dos
espaços rurais numa perspetiva multifuncional, valorizando o mundo rural nas
suas diferentes componentes. As explorações agrícolas podem contribuir para a
valorização florestal. No mínimo os espaços agricultados não ardem com a mesma
facilidade e intensidade, podendo ser aceiros por natureza.
Fernando Ferreira
Coordenador do Clube da Floresta “Os Grifos”
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