Bibliotecas Escolares enfrentam novos desafios
“A biblioteca constitui um instrumento essencial do desenvolvimento do currículo escolar e as suas actividades devem estar integradas nas restantes actividades da escola e fazer parte do seu projecto educativo. Ela não deve ser vista como um simples serviço de apoio à actividade lectiva ou um espaço autónomo de aprendizagem e ocupação de tempos livres”. (Veiga, 2001).
De acordo com este conceito, a biblioteca escolar deve entender-se como um centro de aprendizagem onde o aluno tem um papel mais activo, devendo contribuir para o sucesso educativo dos estudantes e para o desenvolvimento das literacias imprescindíveis na nossa sociedade.
A educação tem sido uma das áreas mais afectadas pelo desenvolvimento das tecnologias de informação, o que poderá constituir um enorme benefício para os nossos alunos. Cabe às equipas que gerem as bibliotecas escolares fazer com que os utilizadores entrem nesse mundo do conhecimento digital e deixem de encarar estes espaços como “museus de livros”.
A biblioteca terá que ser redescoberta e encarada como um espaço onde os alunos podem dispor dos recursos necessários ao desenvolvimento das suas competências. Não basta que requisitem livros, que os leiam sem os saberem interpretar e que os utilizem sem saberem seleccionar o que é relevante para a construção de conhecimentos.
Devido à sua importância crescente e ao seu papel notório no processo de ensino/aprendizagem, é importante que as bibliotecas escolares passem por um processo de avaliação contínuo. A Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) desenvolveu um “Modelo de auto-avaliação para as Bibliotecas Escolares (BE), com o objectivo de proporcionar às escolas/bibliotecas um instrumento que lhes permita identificar as áreas de sucesso e aquelas que, por apresentarem resultados menores, requerem maior investimento, determinando, nalguns casos, uma inflexão das práticas.”
O Modelo de Auto-Avaliação proposto pela RBE está organizado em 4 domínios que sintetizam as áreas de acção da BE:
A. Apoio ao Desenvolvimento Curricular;
B. Leitura e Literacias;
C. Projectos, Parcerias e Actividades Livres e de Abertura à Comunidade;
D. Gestão da Biblioteca Escolar.
O Modelo de Auto-Avaliação foi criado no sentido de melhorar a prática das nossas bibliotecas escolares. Este é um instrumento pedagógico e de melhoria contínua que permite avaliar o trabalho da biblioteca escolar e o impacto do trabalho desenvolvido no funcionamento global da escola e nas aprendizagens dos alunos. Desta forma, esta avaliação não deve ser vista como um fim, mas como um processo que permitirá efectuar as mudanças necessárias à melhoria da BE.
No entanto, para que as acções de melhoria se reflictam nos resultados escolares é fundamental que se estreite a cooperação entre os docentes e a BE, que haja um melhor conhecimento e consequentemente uma maior rentabilização dos seus recursos.
Para aplicar este modelo, deve o professor bibliotecário divulgá-lo e trabalhá-lo com a comunidade educativa do agrupamento e proceder à escolha do domínio a submeter anualmente a auto-avaliação. Na BE da Escola Básica do 2º e 3º Ciclos do Paul, no presente ano lectivo, será avaliado o Domínio A - Apoio ao Desenvolvimento Curricular (A.1 Articulação curricular da BE com as estruturas pedagógicas e os docentes / A. 2. Promoção das literacias da informação, tecnológica e digital).
Espera-se que, ao longo do processo, a Biblioteca seja encarada como um importante núcleo de trabalho e aprendizagem ao serviço da Escola, que assuma um papel preponderante na formação para as literacias e para o acompanhamento curricular dos alunos, um espaço activo de construção de conhecimento. |