08 May
O Soule
Durante a Idade Média, na região onde atualmente fica a França, foi criado o soule, uma versão do harpastum, introduzido pelos romanos entre os anos de 58 e 51 a.C.. As regras do soule variavam de região a região. Seu nome também, onde era chamado de choule na Picardia.
O soule foi um esporte da realeza, praticado pela aristocracia. O rei Henrique II, por exemplo, foi um grande entusiasta do jogo.
O Calcio Fiorentino
Não por acaso os italianos chamam hoje o futebol de calcio. O esporte foi criado em Florença, e por isso, chamado de calcio fiorentino. As regras só foram estabelecidas em 1580, por Giovanni di Bardi. O jogo passou a ser arbitrado por dez juízes, e a bola podia ser impulsada com os pés ou as maõs, e precisava ser introduzida numa barraca armada no fundo de cada campo. Não havia limite de jogadores (levando-se em conta o tamanho do campo, claro), por isso a necessidade de tantos juízes. O esporte se espalhou rapidamente por todo país, e hoje é uma festa anual em várias cidades da Itália.
O Calcio Fiorentino
Não por acaso os italianos chamam hoje o futebol de calcio. O esporte foi criado em Florença, e por isso, chamado de calcio fiorentino. As regras só foram estabelecidas em 1580, por Giovanni di Bardi. O jogo passou a ser arbitrado por dez juízes, e a bola podia ser impulsada com os pés ou as maõs, e precisava ser introduzida numa barraca armada no fundo de cada campo. Não havia limite de jogadores (levando-se em conta o tamanho do campo, claro), por isso a necessidade de tantos juízes. O esporte se espalhou rapidamente por todo país, e hoje é uma festa anual em várias cidades da Itália.
O Football
O primeiro registro de um esporte semelhante ao futebol nos territórios bretões vem do livro Descriptio Nobilissimae Civitatis Londinae, de Willian Fitztephe, em 1175. A obra cita um jogo (semelhante ao soule) durante a Schrovetide (espécie de Terça-feira Gorda), em que habitantes de várias cidades inglesas saíram as ruas chutando uma bola de couro para comemorar a expulsão dos dinamarqueses. A bola simbolizava a cabeça de um invasor.
Por muito tempo o futebol foi meramente um festejo para os ingleses. Lentamente o esporte passou a ficar cada vez mais popular. Tanto que, no século XVI, a violência do jogo era tamanha, que o escritor Philip Stubbes escreveu certa vez: "Um jogo bárbaro, que só estimula a cólera, a inimizade, o ódio, a malícia, o rancor." - O que de fato, era verdade. Era comum no esporte pernas quebradas, roupas rasgadas ou dentes arrancados. Há noticias até de acidentes fatais, como a de um jogador que se afogou ao pular de uma ponte para pegar a bola. Houve também muitos assasinatos devido a rivalidade entre times. Por isso, o esporte ficou conhecido como mass football, "futebol de massa".
Em 1700, foi proibido as formas violentas do futebol. O esporte, então, teve que mudar, e foi ganhando aspectos mais modernos. Em 1710, as escolas de Covent Garden, Strand e Fleet Street passaram a adotar o futebol como atividade física. Com isso, ele logo ganhou novos adeptos, que saíram de esportes como o tiro e a esgrima. Com a difusão do esporte pelos colégios do país, o problema passou a ser os diferentes tipos de regra em cada escola. Duas regras de diferentes colégios ganharam destaque na época: uma, jogada só com os pés, e uma com os pés e as mãos. Criava-se, assim, o football e o rugby, em 1846.
As Morangitas "Ana e Joana "
Era uma vez duas meninas uma chamava-se Ana e a outra chamava-se Joana elas gostavam muito de morangos.Por isso elas levavam sempre morangos para a escola;e as meninas e os meninos da escola chamavam-lhe morangitas e foi assim que passaram-se a chamar morangitas.
Vila tão antiga como Portugal.
A vila de Belmonte teve foral em 1199 e está situada no panorâmico Monte da Esperança (antigos Montes Crestados), em cujo morro mais rochoso foi construído nos finais do séc. XII o seu castelo que juntamente com os castelos de Sortelha e Vila de Touro, formaram até à assinatura do Tratado de Alcanices (1297), a linha defensiva do Alto Côa, apoiada na retaguarda pela muralha natural da Serra da Estrela e pelo Vale do Zêzere.
Por ser tempo de guerras contra leoneses e castelhanos, o castelo de Belmonte foi sendo melhorado nos reinados de D. Afonso III, D. Dinis e D. João I.
A bravura e a lealdade da família dos Cabrais, foi sempre lendária e temida, sobretudo a do seu primeiro Alcaide-mor - Fernão Cabral, que uma vez nomeado a título definitivo e hereditário, em 1466 por D. Afonso V, transformará o castelo numa Residência Senhorial Fortificada, onde seu filho Pedro Álvares Cabral viverá os seus primeiros anos de vida.
No séc. XIII atesta-se a existência de uma já próspera comunidade Judaica, responsável pela existência de uma sinagoga de que resta uma inscrição datada de 1296, que provavelmente viveria numa judiaria localizada no actual bairro de Marrocos. Em consequência da expulsão dos judeus de Espanha em 1492, pelos Reis Católicos é provável que esta comunidade tenha aumentado, até que em 1496, D. Manuel I decreta a conversão forçada ao catolicismo, seguindo-se uma série de perseguições e a criação de uma comunidade cripto-judaica que sobreviveu ao longo dos séculos, mantendo os seus rituais e tradições. É ainda o mesmo monarca que em 1510 renova o foral de Belmonte.
Em 1989 foi oficialmente criada a comunidade judaica de Belmonte, cuja sinagoga foi inaugurada em 1997, actualmente é uma das poucas comunidades com Rabi.
Uma viagem à volta do Monte da Esperança
Dos panoramas do Vale do Zêzere aos encantos e mistérios da Torre de Centum Cellas, cruzando pontes, aldeias com belos solares e histórias de minas antigas.
Para fazer o passeio a pé ao longo do centro histórico da Vila de Belmonte que lhe propomos na página anterior e realizar esta viagem à volta do Monte da Esperança, reserve uma estadia de pelo menos dois dias numa das unidades hoteleiras de Belmonte.
Antes de deixar Belmonte pare junto à Câmara Municipal para admirar o magnífico vale do Rio Zêzere, com o seu leito largo e arenoso, rodeado de amieiros, campos verdes e frondosos pomares de macieiras e pessegueiros.
Saindo de Belmonte pela EN 345, desça até ao cruzamento com a EN 18 e vire à direita para Norte, seguindo a estrada ao longo da Ribeira de Gaia, afluente do Zêzere, cuja riqueza em estanho dos seus aluviões de cassiterite foi explorada pelos romanos, ou mesmo antes, e mais recentemente pelos americanos, entre 1910 e 1940. Cerca de mil metros adiante, vire à direita para Colmeal da Torre, onde à entrada da povoação, se situa a Estação Arqueológica Romana de Centum Cellas, antiga vila romana do século I d.C., ligada à exploração agrícola e mineira da região. Além da altiva e fabulosa construção denominada Torre que se conserva, constituída por enormes silhares graníticos, propositadamente feitos para encaixarem uns nos outros, as escavações em curso puseram à vista a planta do resto do edifício e as suas diferentes fases de construção. Se entretanto estiver na hora do almoço não deixe de provar as trutas, o arroz de lebre no pote de ferro, a caldeirada de cabrito ou o cabrito assado, seguido das tradicionais papas de carolo.
Do Colmeal siga para Maçaínhas, uma típica aldeia rural em perfeita harmonia com a paisagem natural em que se implanta. De Maçaínhas tome a direcção das Olas, antiga aldeia medieval que chegou a ter Igreja paroquial no séc. XIV. Depois da Quinta Cimeira acompanhe o fértil Vale da Ribeira das Olas pela estrada municipal, por entre encostas floridas de giestas (na Primavera), lameiros com rebanhos e cerros graníticos, dos quais se destaca à direita a Penha da Águia, em cujo sopé passa a linha do caminho de ferro. Das Olas continue para as Inguias, no cruzamento da estrada de Inguias para Bendada vire à direita logo em frente surge o pequeno morro onde se encontra a pequena ermida de N.ª Sr.ª da Estrela, onde foi encontrado recentemente um altar romano (ara) dedicado a Júpiter, e em cujas imediações já foram identificadas cinco estações arqueológicas romanas. A romaria de N.ª Sr.ª da Estrela realiza-se aqui anualmente em finais de Agosto.
De Inguias dirija-se para Sul, em direcção à EN 18-3, onde deverá voltar à direita para Caria, uma vila nobre e antiga do concelho de Belmonte. No cimo da vila situa-se a Casa da Torre, antiga residência de Verão dos Bispos da Guarda, mandada construir em 1322. Logo ao lado visite a Igreja Matriz da Imaculada Conceição, barroca, dos inícios do séc. XVIII, com um notável altar de talha dourada, finamente elaborada, com tecto de caixotões com trinta e dois retábulos pintados. Veja ainda o núcleo do casario junto ao solar setecentista dos Quevedo Pessanha, mais abaixo encontrará o Solar dos Condes de Caria, este do séc. XIX.
Duração: 1 dia. Distância Total: 25 Kms.
Na terra de Pedro Álvares Cabral
Um passeio a pé ao longo do centro histórico de Belmonte, de mão dada com os monumentos que viram crescer este famoso navegador.
Quinhentos anos após a descoberta do Brasil admire a estátua de Pedro Álvares Cabral situada no Largo António José de Almeida, a 100 metros dos Paços do Concelho. Suba a pé pela Rua 1º de Maio até à belíssima Praça da República, destacando-se o edifício da antiga Câmara, com a torre do relógio e onde se localiza o Posto de Turismo, o pelourinho quatrocentista e, em redor, um notável conjunto de casas onde pode comprar o artesanato local e da Serra da Estrela. Continuando para o Largo Afonso Costa, volte à esquerda e suba a Rua do Castelo. Visite o castelo que é formado pela Torre de Menagem, vestígios da antiga alcaidaría (Paço dos Cabrais) e um moderno anfiteatro ao ar livre, rodeado por imponentes muralhas. Não deixe de subir à janela Manuelina, verdadeira jóia granítica, de onde poderá contemplar a Serra da Estrela em toda a sua extensão. À saída do Castelo, em frente, observe as capelas de Santo António (séc. XVI) e do Calvário (séc. XIX) e, à direita, a cruz de madeira de Pau Santo do Brasil (réplica da que foi mandada levantar por Cabral na 1ª missa celebrada no Brasil), oferecida nos anos 50 pelo presidente brasileiro Kubichek de Oliveira.
Também à direita, a Igreja de S. Tiago, românica, vale a pena ser visitada, aí encontrará na capela mor, diferentes camadas residuais de frescos sobrepostos, que terão sido elaborados nos sécs. XVI, XVII e XVIII. O altar lateral, também conhecido por capela de N.ª Sr.ª da Piedade, constitui uma preciosa peça gótica com capitéis finamente trabalhados, e onde se guarda o túmulo de Maria Gil Cabral, fundadora da capela nos finais do séc. XIV, e ainda uma raríssima Pietá de granito policromado. Não deixe de visitar o Panteão dos Cabrais, onde se encontra um túmulo com alguns restos mortais de Pedro Álvares Cabral, para além de outros da mesma família. Deixando este templo, à direita, repare na torre sineira que compõe todo este conjunto religioso. Depois de percorrer a Rua da Judiaria e visitar a nova Sinagoga, regresse ao terreiro do castelo, onde todos os anos se acende o tradicional madeiro. Desça novamente a Rua do Castelo e siga pela Rua 25 de Abril em direcção à Igreja da Sagrada Família, em cujo altar lateral se encontra a famosa imagem de N. Sr.ª da Esperança que segundo a tradição terá acompanhado Álvares Cabral ao Brasil.
Posto de Turismo da Belmonte
Largo do Brasil – Castelo de Belmonte
6250-048 Belmonte
Tel./Fax: 275 911 488
CRISTAOS-NOVOS
Com a conversão forçada do fim do séc. XV e o estabelecimento da Inquisição, em 1536, o judaísmo português foi proibido e oprimido. Os judeus passaram a ser Cristãos-Novos.
Por causa das perseguições, muitos judeus partiram para países estrangeiros, mas os outros ficaram em Portugal. Destes últimos, uma maioria não abjurou a sua fé judaica mas, como não a podiam professar publicamente, recorreram à ocultação religiosa. Assim nasceu o criptojudaísmo, que manteve vivas as tradições judaicas dos cristãos-novos, descendentes do velho judaísmo português.

Belmonte esta localizado entre a Covilhã e a Guarda aos pés da Serra da Estrela.

Bairro da Judiaria
primeira Sinagoga data de 1297, dela hoje resta apenas uma inscrição.
Com o decorrer do tempo, as mulheres cristãs-novas foram assumindo, no quadro familiar, um papel fundamental, quer como factor de segurança e controle da religião, quer como de recriação e transmissão da cultura.
Ao nível económico e mesmo ideológico, os cristãos-novos constituíram um sector burguês muito saliente em Portugal. Em geral, ocupavam a sua actividade profissional nos diversos ofícios e no comércio.

Actual Sinagoga de Belmonte inaugurada em 1997.
A Inquisição foi extinta em 1821, mas o criptojudaísmo tinha ganho tão arreigado hábito que se manteve aceso em muitas povoações de Trás-os-Montes e da Beira Interior durante todo o séc. XIX, grande parte do séc. XX, e particularmente em Belmonte, onde persistiu até aos nossos dias com as suas tradições judaicas secretas.
Adonai, Adonai,
Adonai, Senhor meu!
Caminhamos e andamos,
louvaremos ao Deus de Israel,
que nos livrou do Egipto
daquele rei tão cruel.
Caminhamos e andamos,
louvaremos ao Senhor,
cantam os anjos no céu,
os serafins ao Senhor.
Caminhamos e andamos,
louvaremos ao Deus de Abraão,
que nos livrou do Egipto,
da terra da escravidão.
Cantemos hoje ao Senhor,
o Deus da suprema glória,
o cavalo e o cavaleiro
lançou no profundo mar.
Estende o teu braço,
já nos fica fortaleza,
do faraó e do inimigo
já combateu a fraqueza.
E era vencedor
o seu Omnipotente Nome,
o carro do faraó
e seu exército consome.
Cântico da Páscoa (Judeus de Belmonte)
CRISTAOS-NOVOS
Com a conversão forçada do fim do séc. XV e o estabelecimento da Inquisição, em 1536, o judaísmo português foi proibido e oprimido. Os judeus passaram a ser Cristãos-Novos.
Por causa das perseguições, muitos judeus partiram para países estrangeiros, mas os outros ficaram em Portugal. Destes últimos, uma maioria não abjurou a sua fé judaica mas, como não a podiam professar publicamente, recorreram à ocultação religiosa. Assim nasceu o criptojudaísmo, que manteve vivas as tradições judaicas dos cristãos-novos, descendentes do velho judaísmo português.

Belmonte esta localizado entre a Covilhã e a Guarda aos pés da Serra da Estrela.

Bairro da Judiaria
primeira Sinagoga data de 1297, dela hoje resta apenas uma inscrição.
Com o decorrer do tempo, as mulheres cristãs-novas foram assumindo, no quadro familiar, um papel fundamental, quer como factor de segurança e controle da religião, quer como de recriação e transmissão da cultura.
Ao nível económico e mesmo ideológico, os cristãos-novos constituíram um sector burguês muito saliente em Portugal. Em geral, ocupavam a sua actividade profissional nos diversos ofícios e no comércio.

Actual Sinagoga de Belmonte inaugurada em 1997.
A Inquisição foi extinta em 1821, mas o criptojudaísmo tinha ganho tão arreigado hábito que se manteve aceso em muitas povoações de Trás-os-Montes e da Beira Interior durante todo o séc. XIX, grande parte do séc. XX, e particularmente em Belmonte, onde persistiu até aos nossos dias com as suas tradições judaicas secretas.
Adonai, Adonai,
Adonai, Senhor meu!
Caminhamos e andamos,
louvaremos ao Deus de Israel,
que nos livrou do Egipto
daquele rei tão cruel.
Caminhamos e andamos,
louvaremos ao Senhor,
cantam os anjos no céu,
os serafins ao Senhor.
Caminhamos e andamos,
louvaremos ao Deus de Abraão,
que nos livrou do Egipto,
da terra da escravidão.
Cantemos hoje ao Senhor,
o Deus da suprema glória,
o cavalo e o cavaleiro
lançou no profundo mar.
Estende o teu braço,
já nos fica fortaleza,
do faraó e do inimigo
já combateu a fraqueza.
E era vencedor
o seu Omnipotente Nome,
o carro do faraó
e seu exército consome.
Cântico da Páscoa (Judeus de Belmonte)
Belmonte
Belmonte
Vila tão antiga como Portugal. Desde 1500 e tão famosa no Brasil como em Portugal
A vila de Belmonte teve foral em 1199 e está situada no panorâmico Monte da Esperança (antigos Montes Crestados), em cujo morro mais rochoso foi construído nos finais do séc. XII o seu castelo que juntamente com os castelos de Sortelha e Vila de Touro, formaram até à assinatura do Tratado de Alcanices (1297), a linha defensiva do Alto Côa, apoiada na retaguarda pela muralha natural da Serra da Estrela e pelo Vale do Zêzere.
Por ser tempo de guerras contra leoneses e castelhanos, o castelo de Belmonte foi sendo melhorado nos reinados de D. Afonso III, D. Dinis e D. João I.
A bravura e a lealdade da família dos Cabrais, foi sempre lendária e temida, sobretudo a do seu primeiro Alcaide-mor - Fernão Cabral, que uma vez nomeado a título definitivo e hereditário, em 1466 por D. Afonso V, transformará o castelo numa Residência Senhorial Fortificada, onde seu filho Pedro Álvares Cabral viverá os seus primeiros anos de vida.
No séc. XIII atesta-se a existência de uma já próspera comunidade Judaica, responsável pela existência de uma sinagoga de que resta uma inscrição datada de 1296, que provavelmente viveria numa judiaria localizada no actual bairro de Marrocos. Em consequência da expulsão dos judeus de Espanha em 1492, pelos Reis Católicos é provável que esta comunidade tenha aumentado, até que em 1496, D. Manuel I decreta a conversão forçada ao catolicismo, seguindo-se uma série de perseguições e a criação de uma comunidade cripto-judaica que sobreviveu ao longo dos séculos, mantendo os seus rituais e tradições. É ainda o mesmo monarca que em 1510 renova o foral de Belmonte.
Em 1989 foi oficialmente criada a comunidade judaica de Belmonte, cuja sinagoga foi inaugurada em 1997, actualmente é uma das poucas comunidades com Rabi.
Uma viagem à volta do Monte da Esperança
Dos panoramas do Vale do Zêzere aos encantos e mistérios da Torre de Centum Cellas, cruzando pontes, aldeias com belos solares e histórias de minas antigas.
Para fazer o passeio a pé ao longo do centro histórico da Vila de Belmonte que lhe propomos na página anterior e realizar esta viagem à volta do Monte da Esperança, reserve uma estadia de pelo menos dois dias numa das unidades hoteleiras de Belmonte.
Antes de deixar Belmonte pare junto à Câmara Municipal para admirar o magnífico vale do Rio Zêzere, com o seu leito largo e arenoso, rodeado de amieiros, campos verdes e frondosos pomares de macieiras e pessegueiros.
Saindo de Belmonte pela EN 345, desça até ao cruzamento com a EN 18 e vire à direita para Norte, seguindo a estrada ao longo da Ribeira de Gaia, afluente do Zêzere, cuja riqueza em estanho dos seus aluviões de cassiterite foi explorada pelos romanos, ou mesmo antes, e mais recentemente pelos americanos, entre 1910 e 1940. Cerca de mil metros adiante, vire à direita para Colmeal da Torre, onde à entrada da povoação, se situa a Estação Arqueológica Romana de Centum Cellas, antiga villa romana do século I d.C., ligada à exploração agrícola e mineira da região. Além da altiva e fabulosa construção denominada Torre que se conserva, constituída por enormes silhares graníticos, propositadamente feitos para encaixarem uns nos outros, as escavações em curso puseram à vista a planta do resto do edifício e as suas diferentes fases de construção. Se entretanto estiver na hora do almoço não deixe de provar as trutas, o arroz de lebre no pote de ferro, a caldeirada de cabrito ou o cabrito assado, seguido das tradicionais papas de carolo.
Do Colmeal siga para Maçaínhas, uma típica aldeia rural em perfeita harmonia com a paisagem natural em que se implanta. De Maçaínhas tome a direcção das Olas, antiga aldeia medieval que chegou a ter Igreja paroquial no séc. XIV. Depois da Quinta Cimeira acompanhe o fértil Vale da Ribeira das Olas pela estrada municipal, por entre encostas floridas de giestas (na Primavera), lameiros com rebanhos e cerros graníticos, dos quais se destaca à direita a Penha da Águia, em cujo sopé passa a linha do caminho de ferro. Das Olas continue para as Inguias, no cruzamento da estrada de Inguias para Bendada vire à direita logo em frente surge o pequeno morro onde se encontra a pequena ermida de N.ª Sr.ª da Estrela, onde foi encontrado recentemente um altar romano (ara) dedicado a Júpiter, e em cujas imediações já foram identificadas cinco estações arqueológicas romanas. A romaria de N.ª Sr.ª da Estrela realiza-se aqui anualmente em finais de Agosto.
De Inguias dirija-se para Sul, em direcção à EN 18-3, onde deverá voltar à direita para Caria, uma vila nobre e antiga do concelho de Belmonte. No cimo da vila situa-se a Casa da Torre, antiga residência de Verão dos Bispos da Guarda, mandada construir em 1322. Logo ao lado visite a Igreja Matriz da Imaculada Conceição, barroca, dos inícios do séc. XVIII, com um notável altar de talha dourada, finamente elaborada, com tecto de caixotões com trinta e dois retábulos pintados. Veja ainda o núcleo do casario junto ao solar setecentista dos Quevedo Pessanha, mais abaixo encontrará o Solar dos Condes de Caria, este do séc. XIX.
Duração: 1 dia. Distância Total: 25 Kms.
Na terra de Pedro Álvares Cabral
Um passeio a pé ao longo do centro histórico de Belmonte, de mão dada com os monumentos que viram crescer este famoso navegador.
Quinhentos anos após a descoberta do Brasil admire a estátua de Pedro Álvares Cabral situada no Largo António José de Almeida, a 100 metros dos Paços do Concelho. Suba a pé pela Rua 1º de Maio até à belíssima Praça da República, destacando-se o edifício da antiga Câmara, com a torre do relógio e onde se localiza o Posto de Turismo, o pelourinho quatrocentista e, em redor, um notável conjunto de casas onde pode comprar o artesanato local e da Serra da Estrela. Continuando para o Largo Afonso Costa, volte à esquerda e suba a Rua do Castelo. Visite o castelo que é formado pela Torre de Menagem, vestígios da antiga alcaidaría (Paço dos Cabrais) e um moderno anfiteatro ao ar livre, rodeado por imponentes muralhas. Não deixe de subir à janela Manuelina, verdadeira jóia granítica, de onde poderá contemplar a Serra da Estrela em toda a sua extensão. À saída do Castelo, em frente, observe as capelas de Santo António (séc. XVI) e do Calvário (séc. XIX) e, à direita, a cruz de madeira de Pau Santo do Brasil (réplica da que foi mandada levantar por Cabral na 1ª missa celebrada no Brasil), oferecida nos anos 50 pelo presidente brasileiro Kubichek de Oliveira.
Também à direita, a Igreja de S. Tiago, românica, vale a pena ser visitada, aí encontrará na capela mor, diferentes camadas residuais de frescos sobrepostos, que terão sido elaborados nos sécs. XVI, XVII e XVIII. O altar lateral, também conhecido por capela de N.ª Sr.ª da Piedade, constitui uma preciosa peça gótica com capitéis finamente trabalhados, e onde se guarda o túmulo de Maria Gil Cabral, fundadora da capela nos finais do séc. XIV, e ainda uma raríssima Pietá de granito policromado. Não deixe de visitar o Panteão dos Cabrais, onde se encontra um túmulo com alguns restos mortais de Pedro Álvares Cabral, para além de outros da mesma família. Deixando este templo, à direita, repare na torre sineira que compõe todo este conjunto religioso. Depois de percorrer a Rua da Judiaria e visitar a nova Sinagoga, regresse ao terreiro do castelo, onde todos os anos se acende o tradicional madeiro. Desça novamente a Rua do Castelo e siga pela Rua 25 de Abril em direcção à Igreja da Sagrada Família, em cujo altar lateral se encontra a famosa imagem de N. Sr.ª da Esperança que segundo a tradição terá acompanhado Álvares Cabral ao Brasil.
Pedro Álvares Cabral
Pedro Álvares Cabral nasceu em Belmonte, por 1467 - 1468.
Filho de Fernão Cabral, alcaide-mor de Belmonte, ingressou na corte de D. João II como moço fidalgo, por volta de 1478. Casou-se com uma sobrinha de Afonso de Albuquerque e sabe-se que recebeu uma tença de D. João II por serviços prestados, cuja natureza se desconhece.
Após o regresso de Vasco da Gama da Índia, D. Manuel nomeou Pedro Álvares Cabral capitão-mor de uma armada de 13 naus. A missão era transportar 1500 homens para terras do Oriente e conseguir restabelecer relações de amizade e alianças de comércio com o Samorim de Calecute.
Antes de retomar caminho para oriente, despachou um navio para Portugal com a notícia do descobrimento. Durante o percurso até à Índia a armada perdeu mais cinco navios no decurso de um temporal ao largo do cabo da Boa Esperança: quatro deles naufragaram e todos os tripulantes morreram e uma nau afastou-se das outras, só se juntando a Pedro Álvares Cabral em Cabo Verde, já no regresso
Foram só seis naus que avistaram Calecute a 13 de Setembro de 1500. Pedro Álvares Cabral conseguiu estabelecer uma feitoria em terra, mas os seus ocupantes acabaram por ser chacinados. O capitão português retaliou, queimando as embarcações mouras que estavam no porto e bombardeando a cidade. Seguiu para Cochim onde carregou de especiarias os porões das naus e regressou a Lisboa, onde chegou a 31 de Julho de 1 501.
No ano seguinte, chegou a ser escolhido para regressar à índia, mas por razões que se desconhecem não se concretizou o seu comando da expedição. Pedro Alvares Cabral retirou-se da corte e fixou-se nas suas propriedades perto de Santarém. Deverá ter sido nesta cidade que morreu. Foi agraciado por uma comenda da Ordem de Cristo. Na Missa de despedida celebrada a 8 de Março de 1500, a bandeira da mesma Ordem. O Bispo de Ceuta fez um sermão, não louvando El Rei, mas louvando Pedro Álvares Cabral pelos actos heróicos feitos em África e por ter aceite o encargo de comandar toda a frota e armada que partiu para a Índia em 9 de Março.
Presente nesta Missa de Despedida, esteve presente também a bandeira de D. Manuel I, a qual, depois de benzida por D. Diogo Ortiz, foi entregue pelo Rei ao Capitão Pedro Álvares Cabral.Esta bandeira estaria presente também nas duas missas celebradas no Brasil.
A imagem de Nª Srª da Esperança tinha, já antes de Pedro Álvares Cabral, um templo em Belmonte, e em terras de seus antepassados. Era imagem de família e de muita devoção das gentes de Belmonte. Esta devoção continua a ser grande, a maior deste povo. Segundo a tradição, bem arreigada nesta terra, a imagem acompanhou Pedro Álvares Cabral na viagem em que este descobriu o Brasil. Dela se fizeram réplicas, uma oferecida ao Brasil, outra existente no Museu da Marinha em Portugal.
A vida de Pedro Álvares Cabral nunca teria passado de epítome, se não fossem as conhecidas tenças recebidas por acções valiosas e concretas, e por aquilo que escapou aos cronistas oficiais que procuraram ignorá-lo, pensando que, assim, o fariam esquecer.
Felizmente os reis passam e história cada vez mais se aclara.
Hoje está claro que Pedro Álvares Cabral deu ao sonhado Império Português a sua maior dimensão, desde as terras da América abrangidas pela linha de Tordesilhas até ao Oriente. Está claro que nem D. Manuel I nem os conselheiros, cegos pelas riquezas que Pedro Álvares Cabral foi o primeiro a trazer, perceberam que este navegador trouxera também a notícia de uma terra mais bela e cuja riqueza não precisava de ser arrancada a canhão e pólvora.
Para honrar a palavra de El-Rei e a pedido deste, Cabral desistiu da capitania da sua segunda armada à Índia. El Rei agradeceu-lhe e prometeu que lhe daria o comando de outras armadas. Mas esqueceu-se do herói que homiziou sem, contudo, deixar de intitular-se “com grande cópia” senhor da navegação e conquista da Pérsia, Índia, Arábia e Etiópia - títulos que o homiziado lhe ganhou.
Este homiziado tem estátua em Belmonte, em cujo castelo nasceu e onde é orgulho de todos apesar da ingratidão do Rei bajulado por qualquer cronista e cortesão.
A estátua de Pedro Álvares Cabral em Belmonte é de um homem que é uma peça única de formação de “Almirante”, navegador e cristão humano.
A estátua de Lisboa é a do homem triunfante que chega a Belém com naus carregadas de riqueza ou do homem que infalivelmente tinha de ser reabilitado pela história. Um dia, um cortesão injuriou a figura de Pedro Álvares Cabral em frente de um filho deste e de D. João III. El Rei mandou calar o cortesão, mandou-o sair da sala, e desterrou-o para África, por toda a vida. Foi o início da justiça devida ao filho segundo do Alcaide Mor de Belmonte.
29 March
Nossa Escola
Esta é a nossa escola, onde todos os dias aprendemos coisas novas!